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sexta-feira, 22 de junho de 2012

Il Barone Sanguinario

Descobri-o há poucos dias numa pequena livraria em Lecce. O livro chamou-me a atenção pela capa cor de malva encimada por um título chamativo (Il Barone Sanguinario). No centro da capa, a fotografia que reproduzo neste post. Estive para comprar o livro, mas dois outros desviaram-me a atenção e o pensamento recorrente do peso que teria de transportar para Lisboa fez o resto. Claro está que me arrependi - como quase sempre sucede nestas ocasiões -, tanto mais por me ter dado conta que o barão já era um velho conhecido e que ao invés de o conhecer, reconheci-o. Foi-me apresentado naquela que é talvez a minha série favorita do grandíssimo Corto Maltese: "Corto Maltese na Sibéria", mais precisamente no respectivo segundo volume ("Ungern da Mongólia"). O Barão Roman von Ungern-Sternberg fazia então a sua aparição e, tal como na vida real, irradiava um fascínio demencial. Como sucede com diversas personagens malditas que fazem parte do património de uma certa direita - ou que esta adoptou - e que mereceriam por si só um outro post. 


sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Mal que pergunte...

...mas este distanciamento da Rússia relativamente à Síria não terá porventura a ver com a necessidade de fazer esquecer as recentes eleições "tão livres como na livre Inglaterra"?

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

The Thruth-is-always-in-the-middle Damper

"Let us not be diverted by more of these sophistical contrivances wherewith we are so industriously plied and belaboured - contrivances such as groping for some middle ground between the right and the wrong."
Abraham Lincoln, speech at the Cooper Union, New York City, 27.2.1860 (in Antony Flew, Thinking about thinking - or, do I sincerely want to be right?, p. 44)

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

O consolo dos clássicos

O consolo dos clássicos
cauteriza a ferida do tempo presente
e dos ausentes.

Do consolo dos clássicos
ressente-se a mediocridade presente
crivada de faits divers
e de tantos e tão ridículos affaires.

Os clássicos consolam
cada vez menos gente
neste tempo ausente.

Que fariam os clássicos
assomando a este tempo presente?
Chorariam, inconsoláveis,
esta imprestável gente.

Hipólito Geraldes (1874-1936)

sábado, 10 de dezembro de 2011

Splendid isolation: then and now

O Conselho Europeu que terminou ontem trouxe mais uma demonstração de "splendid isolation", com o Reino Unido a recusar subscrever uma alteração ao Tratado que consagrasse o que veio a ser acordado em sede intergovernamental. As especificidades britânicas não são novas e nem de propósito a RTP 2 passou ontem um excelente documentário (daqueles que provavelmente será passado às 2 manhã na nova RTP 4 [o todo não é igual à soma das partes]) sobre a morte política de Margaret Thatcher. Nem de propósito porque não haverá certamente muitos países onde uma bancada parlamentar não se deixa inebriar por três vitórias eleitorais consecutivas, nem intimidar por uma Primeira-Ministra dispondo de uma confortável maioria parlamentar e de uma personalidade temível, e força a resignação da mesma para evitar um desastre eleitoral iminente.
A expressão Sonderweg (literalmente "percurso especial") é normalmente utilizada na literatura historiográfica para descrever e explicar o curso de eventos históricos ocorridos na Alemanha e que culminou na catástrofe de 1945. Mas se há País cuja história é toda ela um Sonderweg, é o Reino Unido.