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quinta-feira, 28 de outubro de 2010
"E maggior fortuna sarebbe, se in Italia ci fossero piú toscani e meno italiani"
Nascido na cidade de Prato, na Toscana, este senhor tinha os seus conterrâneos em grande conta. E escreveu um livro sobre o assunto, que intitulou ironicamente (?) "Malditos toscanos". Não se pode dizer que a descrição seja simpática, mesmo descontado o exagero propositado para que os toscanos aparecessem grandes mesmo nos seus defeitos. Mas é um excelente complemento de viagem de qualquer guia turístico sobre a região.
quarta-feira, 27 de outubro de 2010
Agora escolha
Há duas versões contraditórias sobre a razão que levou ao fracasso das negociações para a aprovação do OE para 2011. A primeira é um discurso improvisado de cerca de trinta minutos, centrado no conteúdo das propostas que estavam em cima da mesa, avançando razões técnicas da sua exequibilidade e contrariando os argumentos que a negavam. A segunda é um discurso iminentemente político de quinze minutos, lido à comunicação social e centrado em considerações político-partidárias por detrás do falhanço das negociações. De acordo com o príncipio lógico da não contradição, uma destas versões é a verdadeira. Agora escolha.
Uma geração precoce
"Uma na bravo, outra na ditadura"
Um documentário (a não perder) sobre uma geração precoce: precocemente nostálgica. Um documentário sobre a nossa geração.
Um documentário (a não perder) sobre uma geração precoce: precocemente nostálgica. Um documentário sobre a nossa geração.
sábado, 16 de outubro de 2010
Momento italiano n.º 755
Um motorista da
de óculos escuros e auriculares nos ouvidos guina o autocarro para a direita e faz uma curva apertada no centro de Florença enquanto lê umas folhas que segura com a mão direita.
p.s. oficialmente ATAF significa Azienda Trasporti dell'Area Fiorentina mas na verdade é um acrónimo para "Alertamos Todos para os Atrasos Frequentes"
de óculos escuros e auriculares nos ouvidos guina o autocarro para a direita e faz uma curva apertada no centro de Florença enquanto lê umas folhas que segura com a mão direita.
p.s. oficialmente ATAF significa Azienda Trasporti dell'Area Fiorentina mas na verdade é um acrónimo para "Alertamos Todos para os Atrasos Frequentes"
Orçamento detEstado
Numa tirada silogística provavelmente inspirada num fortune cookie recém consumido
o ministro das finanças (os tempos estão maus e temos de poupar nas maiúsculas) declarou: "O país precisa do orçamento e este é o orçamento que o país precisa". Nada mais natural, portanto, que um documento tão importante, "o mais importante dos últimos 25 anos" (idem) chegue à AR meia hora antes de terminar o prazo legal. E incompleto [se o ministro fosse jurista, diria que tinha aprendido a artimanha durante o estágio]. Soubemos depois que o ministro teria avisado o presidente da AR que apenas hoje entregaria o relatório macroeconómico, porque o mesmo estaria a ser ultimado. Senti-me por isso muito mais descansado pelo facto do presidente da AR ter sido prevenido que o OE mais importante dos últimos 25 anos tinha sido acabado à última da hora e ainda assim entregue fora do prazo.
Olhando um pouco para além do psicodrama em torno do OE que só pode terminar na aprovação do mesmo, a questão que me coloco é: como acabar ou pelo menos minorar os efeitos desta governação kamikaze de segunda legislatura? Não há responsabilização jurídica e a política, quando vier, não beliscará quem já não faz a menor tenção de se apresentar a eleições nos próximos anos. Enquanto isto, os partidos da oposição são convidados a compartilhar do interesse nacional numa hora decisiva para o País e fazer como o PM e o governo:
o ministro das finanças (os tempos estão maus e temos de poupar nas maiúsculas) declarou: "O país precisa do orçamento e este é o orçamento que o país precisa". Nada mais natural, portanto, que um documento tão importante, "o mais importante dos últimos 25 anos" (idem) chegue à AR meia hora antes de terminar o prazo legal. E incompleto [se o ministro fosse jurista, diria que tinha aprendido a artimanha durante o estágio]. Soubemos depois que o ministro teria avisado o presidente da AR que apenas hoje entregaria o relatório macroeconómico, porque o mesmo estaria a ser ultimado. Senti-me por isso muito mais descansado pelo facto do presidente da AR ter sido prevenido que o OE mais importante dos últimos 25 anos tinha sido acabado à última da hora e ainda assim entregue fora do prazo.
Olhando um pouco para além do psicodrama em torno do OE que só pode terminar na aprovação do mesmo, a questão que me coloco é: como acabar ou pelo menos minorar os efeitos desta governação kamikaze de segunda legislatura? Não há responsabilização jurídica e a política, quando vier, não beliscará quem já não faz a menor tenção de se apresentar a eleições nos próximos anos. Enquanto isto, os partidos da oposição são convidados a compartilhar do interesse nacional numa hora decisiva para o País e fazer como o PM e o governo:
Facing death with a smile
quarta-feira, 13 de outubro de 2010
A este ritmo de auto-mutilação, não sei se chega vivo ao Natal
"Alegre diz que estão a ser recrutadas crianças em escolas para as visitas de Cavaco"
http://www.ionline.pt/conteudo/83143-alegre-diz-que-estao-ser-recrutadas-criancas-em-escolas-as-visitas-cavaco
http://www.ionline.pt/conteudo/83143-alegre-diz-que-estao-ser-recrutadas-criancas-em-escolas-as-visitas-cavaco
31 minutos ao telefone com a TAP Victoria(*)
Trechos de "As Quatro Estações" de Vivaldi: a Primavera.
"De momento não nos é possível atender a sua chamada. Por favor aguarde"
Mais 2 minutos de Primavera.
"Bom dia, TAP Victoria. Em que posso ser útil?"
"Nome do titular do cartão e data de nascimento?""Só um momento, por favor"
Mais uns acordes de Primavera.
"Obrigado por ter aguardado. Lamento mas não temos disponibilidade para essas datas... Pois, a minha colega terá informado que tínhamos mas entretanto deve ter sido feita uma reserva"
"Queira aguardar só um minuto"
Sai a operadora, entra o Antonio. Desta feita em versão disco riscado da Primavera durante 5 minutos.
"Não, também não tenho disponibilidade para essas datas. Só no avião que parte de Lisboa às 06:15 da manhã... Pois, não sendo esse tenho de ver quais as possibilidades."
Tu tu tu ru ru, tu tu ru ru, tu ru ru, tu tu ru, tu tu ru, ru ru ru [isso, mais uns minutos de Primavera]
"Obrigado por ter aguardado. Continuo a não ter disponibilidade para as datas que me pede. Mas é só aguardar mais um momento."
O Verão continua à espera porque o raio da Primavera não larga o auscultador.
"Obrigado por ter aguardado. Pois, parece que houve um engano. Parece que me enganei. Afinal tenho lugar no avião das 06:15... Ah, nesse não, mas deixe-me verificar. É só mais um momento."
Se alguém dinamitasse a central, podia ser que o Vivaldi fosse tocar para outras bandas. Mas não. São mais 2 minutos de florzinhas a desabrochar, animaizinhos a saltitar em prados bucólicos e febre dos fenos.
"Obrigado por ter aguardado. Afinal tenho lugar nos vôos que me pediu. Precisaria agora que me indicasse o número do..."
O som da voz da operadora esvai-se. Do outro lado da linha o paciente cliente da TAP foi substituído por Patrick Bateman. Este já nada ouve e só pensa na utilização que pode dar à sua colecção de armas brancas. E que da próxima vez vai gastar as milhas noutra companhia aérea.
(*) ou o lusitano prazer de dizer não
"De momento não nos é possível atender a sua chamada. Por favor aguarde"
Mais 2 minutos de Primavera.
"Bom dia, TAP Victoria. Em que posso ser útil?"
"Nome do titular do cartão e data de nascimento?""Só um momento, por favor"
Mais uns acordes de Primavera.
"Obrigado por ter aguardado. Lamento mas não temos disponibilidade para essas datas... Pois, a minha colega terá informado que tínhamos mas entretanto deve ter sido feita uma reserva"
"Queira aguardar só um minuto"
Sai a operadora, entra o Antonio. Desta feita em versão disco riscado da Primavera durante 5 minutos.
"Não, também não tenho disponibilidade para essas datas. Só no avião que parte de Lisboa às 06:15 da manhã... Pois, não sendo esse tenho de ver quais as possibilidades."
Tu tu tu ru ru, tu tu ru ru, tu ru ru, tu tu ru, tu tu ru, ru ru ru [isso, mais uns minutos de Primavera]
"Obrigado por ter aguardado. Continuo a não ter disponibilidade para as datas que me pede. Mas é só aguardar mais um momento."
O Verão continua à espera porque o raio da Primavera não larga o auscultador.
"Obrigado por ter aguardado. Pois, parece que houve um engano. Parece que me enganei. Afinal tenho lugar no avião das 06:15... Ah, nesse não, mas deixe-me verificar. É só mais um momento."
Se alguém dinamitasse a central, podia ser que o Vivaldi fosse tocar para outras bandas. Mas não. São mais 2 minutos de florzinhas a desabrochar, animaizinhos a saltitar em prados bucólicos e febre dos fenos.
"Obrigado por ter aguardado. Afinal tenho lugar nos vôos que me pediu. Precisaria agora que me indicasse o número do..."
O som da voz da operadora esvai-se. Do outro lado da linha o paciente cliente da TAP foi substituído por Patrick Bateman. Este já nada ouve e só pensa na utilização que pode dar à sua colecção de armas brancas. E que da próxima vez vai gastar as milhas noutra companhia aérea.
(*) ou o lusitano prazer de dizer não
"Salome" ou uma encenação moderna trocada por miúdos
O interior de uma caixa-forte, tendo ao fundo uma parece recoberta de pequenos cofres rectangulares, do lado direito a porta (aberta) de um enorme cofre e no lado oposto um balcão; atrás deste, um número impreciso de ecrãs a fazer lembrar a sala de controlo de um estúdio de televisão. Diversos personagens aparentemente saídos de um set cinematográfico (na altura parecia ser a única explicação plausível) atravessam o palco: soldados romanos cruzam-se com pagens gregos, escravos egípcios e homens da segurança de óculos escuros e auriculares. Entretanto, de dentro do cofre irradia uma luz dourada fortíssima e escuta-se uma voz grave que debita umas frases apocalípticas, ao que nos apercebemos que o cofre é na verdade uma prisão. Junto ao balcão encontram-se dois homens e uma mulher fardados de guardas prisionais. Conversam entre si, mas um deles olha insistentemente para os ecrãs, nos quais se vê agora uma jovem com um ar mortalmente entediado no que parece ser uma recepção. A colega admoesta o guarda prisional de que se ele continua a olhar assim para a filha do patrão vai ter chatices. Meu dito, meu feito: a jovem, que responde pelo nome de Salomé, farta-se do evento e resolve descer à cave para conviver com a classe trabalhadora, imbica que quer ver o prisioneiro e faz olhinhos ao guarda prisional (babado) que, por fim e contra as ordens do patrão, deixa o encarcerado ver a luz do dia por uns momentos. O ar andrajoso e assustador do prisioneiro - que continua a debitar incompreensíveis frases apocalípticas - não repele a jovem, a qual começa por lhe elogiar o físico, depois o cabelo e por fim a boca. Nesta fase já deu para perceber que a filha do patrão não é muito esquisita no que respeita a homens - nem a mulheres, como depois se perceberá - e que muito provavelmente sofre de miopia. O prisioneiro rechaça todos os avanços e amassos e diz-lhe repetidamente que ela é uma putéfia e que a mãe dela não lhe fica atrás. A jovem, que possivelmente sofreria também de surdez ou de défice de QI, não percebe que o prisioneiro - que responde pelo nome de João, pelo apelido de Baptista e é santo - não está mesmo a fim dela e insiste em querer beijá-lo. Pelo caminho aparece o guarda que acha piada à pequena que, ao vê-la afanadinha pelo João, resolve suicidar-se com um canivete suíço (espantosamente, consegue-o à primeira tentativa e tem de passar os dez minutos seguintes a fingir-se de morto). O prisioneiro volta para o cofre/cela e desce o patrão (Herodes) envolvido numa camada de papel de prata ou vestido à anos 70 (ficou a dúvida), acompanhado da mulher (uma espécie de Cruella com excesso de peso e cabelo laranja) e um cortejo de convidados, cada um mais mal vestido de cerimónia que o outro. Pois dá-se que o Herodes quer que a Salomé - que afinal não é filha, mas enteada - volte para o banquete e pelo caminho vai-lhe deitando uns olhares lúbrico-etílicos (ou etílico-lúbricos). Sendo a Salomé uma rapariga caprichosa, insiste em ficar na cave, pelo que a festa muda-se para o andar de baixo (os egípcios/gregos/romanos tratam da logística) e percebe-se que não faltará muito para que o espectáculo se torne para maiores de 18. O momento chega quando o padrasto insiste que a Salomé execute a sua famosa dança dos sete véus, ao que ela acede apenas depois de obrigar Herodes a dar-lhe em troca o que ela pedir. Este saliva abundantemente e, com o juízo claramente turbado, diz-lhe que sim, que dance, que logo lhe dará tudo o que ela quiser. O que se segue permitiria perceber a razão da sobre-excitação do Herodes não fosse a Salomé ser uma pequena a precisar de umas idas ao ginásio e de uma plástica. Isso não parece incomodar os demais convidados masculinos, que acabam a dançar à volta ela em boxers e, em alguns casos, com menos do que isso. A dança atinge o seu paroxismo quando a Salomé decide fazer as delícias de um velhote, ou melhor em cima de um velhote; que por sinal era um dos que estava sem boxers. A mulher do Herodes não acha piada à brincadeira, mas o marido está deliciado a gravar toda a cena com uma câmara. Claro que no final chega a conta e, para grande embaraço do governador da Judeia, a roliça Salomé não está interessada em riquezas mas na cabeça do pobre do João. Muito a contragosto o governador acede e a ópera termina numa cena de cabidela, com a jovem Salomé aos chochos à cabeça decepada.
[o benévolo e paciente leitor acabou de ler uma descrição da ópera "Salome" tal como foi encenada e representada no Teatro del Maggio Musicale Fiorentino, no dia 12 Outubro de 2010; e, a julgar pelos apupos no final e pelos aplausos mortiços, é capaz de não andar muito longe da verdade]
[o benévolo e paciente leitor acabou de ler uma descrição da ópera "Salome" tal como foi encenada e representada no Teatro del Maggio Musicale Fiorentino, no dia 12 Outubro de 2010; e, a julgar pelos apupos no final e pelos aplausos mortiços, é capaz de não andar muito longe da verdade]
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