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quarta-feira, 13 de outubro de 2010

31 minutos ao telefone com a TAP Victoria(*)

Trechos de "As Quatro Estações" de Vivaldi: a Primavera.
"De momento não nos é possível atender a sua chamada. Por favor aguarde"
Mais 2 minutos de Primavera.
"Bom dia, TAP Victoria. Em que posso ser útil?"
"Nome do titular do cartão e data de nascimento?""Só um momento, por favor"
Mais uns acordes de Primavera.
"Obrigado por ter aguardado. Lamento mas não temos disponibilidade para essas datas... Pois, a minha colega terá informado que tínhamos mas entretanto deve ter sido feita uma reserva"
"Queira aguardar só um minuto"
Sai a operadora, entra o Antonio. Desta feita em versão disco riscado da Primavera durante 5 minutos.
"Não, também não tenho disponibilidade para essas datas. Só no avião que parte de Lisboa às 06:15 da manhã... Pois, não sendo esse tenho de ver quais as possibilidades."
Tu tu tu ru ru, tu tu ru ru, tu ru ru, tu tu ru, tu tu ru, ru ru ru [isso, mais uns minutos de Primavera]
"Obrigado por ter aguardado. Continuo a não ter disponibilidade para as datas que me pede. Mas é só aguardar mais um momento."
O Verão continua à espera porque o raio da Primavera não larga o auscultador.
"Obrigado por ter aguardado. Pois, parece que houve um engano. Parece que me enganei. Afinal tenho lugar no avião das 06:15... Ah, nesse não, mas deixe-me verificar. É só mais um momento."
Se alguém dinamitasse a central, podia ser que o Vivaldi fosse tocar para outras bandas. Mas não. São mais 2 minutos de florzinhas a desabrochar, animaizinhos a saltitar em prados bucólicos e febre dos fenos.
"Obrigado por ter aguardado. Afinal tenho lugar nos vôos que me pediu. Precisaria agora que me indicasse o número do..."
O som da voz da operadora esvai-se. Do outro lado da linha o paciente cliente da TAP foi substituído por Patrick Bateman. Este já nada ouve e só pensa na utilização que pode dar à sua colecção de armas brancas. E que da próxima vez vai gastar as milhas noutra companhia aérea.

(*) ou o lusitano prazer de dizer não

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